Terça-feira, 10 de Julho de 2007
Reportagem: "Música com Sal"
 
Aveiro será, mais dia menos dia, a minha segunda cidade.
Não Paris, Veneza, Madrid, Berlim, Budapeste, Praga… estive em todas e todas me ficaram gravadas na memória, por diversas razões.
 
Quando soube deste concerto - o Música com Sal -, mesmo antes das minhas férias, há dois meses atrás, fiz dele um sonho.
Que se tornou realidade.
 
Fui recebida com pompa e circunstância (o que há melhor do que um abraço sentido cheio de gargalhadas pelo meio?) pela Maria d’as Dores.
E desde aquele primeiro momento, na estação de comboios, foi um corrupio!
Aproveitar cada minuto, cada refeição, cada sorriso… à medida que os outros companheiros de aventura se iam juntando a nós (ou indo embora).
Cada foto registada, para mais tarde recordar!
Porque já lá vão três anos desde que nos conhecemos presencialmente e as fotos são nossas “amigas”.
 
Ala para o concerto, que se faz tarde…
 
 
A primeira vez (aquela que fica indelevelmente marcada) que vi a Mariza ao vivo, em concerto, foi em Setembro de 2002.
 
Muito pouco conhecida no nosso País, estava já a fazer concertos fora de fronteiras, e veio ao Porto para um espectáculo memorável, em muitos sentidos.
Era então uma jovem que se vestia de forma chocante (para o meio em que se move), que trazia o cabelo curtíssimo e loiro, e que raramente usava o tão tradicional xaile de Fado, que invadiu a Invicta para deliciar quem lotou o Rivoli naquela noite.
Foi ovacionada vezes seguidas e deu-se ao público, que lhe sorvia a imponência da voz e a graciosidade da presença em palco.
 
Mas foi quando tirou o microfone, desceu as escadas para a plateia (quase caindo, com os seus saltos altíssimos e o vestido rodado) e, com os seus músicos, cantou “a cappella” no meio do público (ali mesmo à minha beira), como quem canta numa pequeníssima tasca de Lisboa, que fez desabar a sala, pequena para albergar a imensidão do seu timbre e da sua emoção.
Foram poucas as almas que não se lhe renderam, que não choraram com aquela pequena-grande Mulher.
 
Desde então, já conquistou o Mundo.
 
E sexta-feira lá estava ela, juntamente com o “seu maestro preferido”, como chamou a Jaques Morelenbaum, e a Orquestra Filarmonia das Beiras, além dos seus quatro suspeitos do costume, que a acompanham sempre, a inaugurar (em termos musicais) o Estádio Municipal de Aveiro, e a celebrar a lusofonia.
Reconheci-lhe ainda o companheiro de vida, João Pedro Ruela, nas percussões.
E também nas percussões o Vicki, um dos músicos do Projecto Sal, de que falei aqui há pouco tempo.
 
 

 

 
Mariza cantou, encantou e seduziu.
Arriscou o português do Brasil, dançou e bailou com uma leveza contagiante (a plateia em pé não se fez rogada e rodopiou com ela).
E fez-me chorar.
Tenho o(s) meu(s) fado(s) preferido(s), como “Chuva” o é (pelo poema, pelos arranjos, pelo arrepio que sinto de todas as vezes que ouço) mas quando ela cantou o “Ó Gente da Minha Terra”, desceu do palco e foi para o meio do “seu” público, chorei em silêncio, no meu cantinho.
Porque me vi há 5 anos atrás, naquela sala pequena do Rivoli, a descobrir mais uma voz para juntar às que povoavam o meu leque de favoritos. São as vozes que me fazem enamorar e com a dela aconteceu desde o início, desde a primeira vez.
E nestes 5 anos já tantas coisas aconteceram na minha vida, que não evitei que as lágrimas molhassem o meu rosto…
 
 
Uma palavra para Gilberto Gil, o Ministro da Cultura do Brasil, que veio fazer a segunda parte do concerto.
Um Gil mais alegre do que a primeira vez que o vi no Coliseu do Porto, mais solto, mais comunicativo.
Que nos deixou com momentos tão díspares como: “Toda a Menina Baiana”, “Aquele Abraço” ou “Banda Larga” (música nova).
Mas que teve a pouca sorte de actuar depois da rainha da noite, porque muitas pessoas deixaram o estádio enquanto ele cantava.
Gostei de o saber acompanhado por Gustavo de Dalva, um dos músicos que faziam parte da banda da minha queridíssima Daniela Mercury.
 
 

 

 
 
A noite terminou com uma música cantada a duas vozes e compartilhada pelo público, em favor da “Paz”.
À saída do estádio, gostei de ver o Carlos Tê, letrista fantástico que faz parceria com o Rui Veloso.
 
A viagem até casa da minha “hospedeira” foi feita em silêncio, em jeito de “remoer” as emoções todas que pairavam à flor da minha pele.
 
 
Foi um fim-de-semana diferente, cheio de cumplicidade, de sorrisos e partilhas!
Para repetir…
 
 

 

 
---
E agora os agradecimentos, de fim de “Reportagem”:
 
- Maria d’as Dores – obrigada pelo companheirismo de sempre, dentro e fora dos nossos escritos;
- Liana – obrigada pela estadia e pela companhia; pelo banho gelado (brrrr) e pelo pão torrado; pela amena cavaqueira e pela chaleira (ó pá, tenho que ir aí no Inverno, para rimar com lareira);
- Leitora Assídua de Marias há Muitas – obrigada pelo lado-a-lado no concerto, pelo riso e pelo sorriso!;
- A. – as fotos estão a caminho! Têm que ir a 120Km, para não apanhar multa, está bem?
 
 
 
Maria Não Me Callas
 
 

música: mariza

Maria Desejo às 09:52
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Quinta-feira, 5 de Julho de 2007
"Paranormal"
 
No passado Domingo, primeiro dia de Julho, fui ver a peça “Paranormal”.
 
 

 

 
Com texto original de Miguel Falabella, é protagonizado no nosso país por Joaquim Monchique – o one man show nesta peça.
 
Foi bom voltar a entrar no renovado Batalha, que me iniciou na arte de apreciar Cinema, há muitos anos. Recordo-me de passar muitas matinés naquelas cadeiras duríssimas, mas encantada com aquele mundo que fui descobrindo aos poucos.
 
Pois bem, este espaço, fechado durante muitos anos, dotado ao abandono durante todos eles (o Cine Águia, edifício contiguamente “colado”, ainda está nesse estado) reabriu no ano passado e já acolheu vários espectáculos.
Mas para mim foi o reentrar numa sala tão “nossa” - para quem é do Porto.
 
A peça, trazida do Brasil e adaptada para a realidade do nosso País, deixou-me muito a desejar.
Porque ainda vigora o conceito que humor só pode ser feito com recurso a vernáculo (com honrosas excepções, na minha opinião).
E foi tudo em excesso… um excesso demasiadamente excessivo.
 
Mas foi engraçado ver que uma das personagens tem o meu nome real; que por trás de muito “asneiredo” tantas e tantas cenas daquelas vivemo-las no dia-a-dia; e foi hilariante ver o actor esquecer-se do texto, ter a humildade suficiente para o admitir, e depois improvisar, improvisar e improvisar… até conseguir voltar a encontrar o “fio-à-peça”.
 
 

 

 
No dia em que a peça se despediu da cidade onde estreou e se manteve durante mais de 2 meses, eu estive lá!
 
Maria Revisteira
 
 


Maria Desejo às 12:59
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Segunda-feira, 2 de Julho de 2007
Editorial Sétimo
 
Chegou de mansinho mas tão desejado este mês de Julho. Agora se não for pedir muito quero calor, sim? As Marias estão desejosas duma pele dourada e duns vestidos esvoaçantes e os Maneux agradecem, sussurraram-me ao ouvido.
Mais tempo também e disposição para as danças de sedução, precisa-se, ouvi dizer. As coisas que eu ouço, deus meu, ou serão coisas que pressinto?
 
I’m feeling good. It’s a new dawn, a new day, a new month for me, you know what I mean...and I’m feeling so good…
 
Os editoriais querem-se sumarentos, apetitosos, uma porta aberta para os restantes artigos a degustar no correr do mês. Escrever com alma carece de vida intensa. Não tenho vivido. Deixei-me ir numa sucessão de dias agitados que apartaram a Maria da outra, a D’as Dores. E Marias há muitas. Quero as minhas dores, conquistadas em batalhas ultrapassadas mas que fazem de mim aquilo que hoje sou. Mas a super cola 3 é eficaz, dizem. De cu pró ar em busca de cacos, resta-me o puzzle para montar. Há coisas piores.
 
E o mês de Julho está aí, é verão, que mais pode uma mulher desejar? Talvez uma coisita ou outra mas caramba, who cares, anyway?
 
I’m feeling good. It’s a new dawn, a new day, a new month for me, you know what I mean...and I’m feeling so good…
 
Maria D’as Dores
 

música: Michael Bublé: Feeling good

Maria das Dores às 22:32
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Sexta-feira, 29 de Junho de 2007
"O Véu Pintado" e outros (*)
 
“Desejou desprezá-lo, porque enquanto apenas o odiasse, sabia estar muito próxima de o amar.
A forma como ele a tratava devia ter-lhe aberto os olhos.
Ah, se pelo menos conseguisse tirá-lo da cabeça de uma vez por todas!”
 
pág. 121 – “O Véu Pintado” de Somerset Maugham
 
 
Comprei este livro porque não fui ver o filme.
Namorei-o durante algum tempo, a pensar se quereria ler mais um livro sobre os encontros e os desencontros entre um casal, entre um homem e uma mulher.
Mas acabei por me decidir e levá-lo para casa.
Ficou na prateleira dos “quando tiver tempo trinco-te, mastigo-te, e engulo-te”, junto a tantos outros seus irmãos de infortúnio.
Mas este teve mais sorte do que outros que só não têm pó porque sou arrumadinha!
 
 
A música “Sou de qualquer lugar” diz assim:
 
Sou de qualquer lugar
Eu sou minha nação
Tenho somente o sonho
E o mapa do mundo em minhas mãos
 
 
Este livro fala disso, também.
De abandonar o nosso lar e ir viver para uma realidade inteiramente diferente da nossa.
Mas é um livro triste. Um livro com uma escrita deliciosamente triste.
Com um final arrojado, porque, afinal, eles não viveram felizes para sempre.
Porque o amor é o sentimento mais próximo que existe do ódio.
Mas a vida (real) não é assim também?
 
 
Mais um autor que não conhecia, mas que me convenceu, em absoluto.
Recomendo!
 
Maria Livreira
 
(*) em jeito de rodapé, agradecer à nossa querida Maria Alfacinha pela nomeação para o prémio que podem ver aqui.
As Marias agradecem e dizem que ficaram lacrimejantes, tendo até esborratado a maquilhagem cuidadamente produzida para a cerimónia de entrega de Prémios.
Ouvi dizer...
 


Maria Desejo às 12:55
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Segunda-feira, 25 de Junho de 2007
A dois
 
Escrevo-te. (Escrevo em ti.)
Subscrevo-te.
Transcrevo-te.

Lês-me. (Lês em mim.)
Soletras-me.
Devoras-me.

(Re)Inventamo-nos!
 
 
Maria Post-it
 


Maria Desejo às 09:56
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Quarta-feira, 20 de Junho de 2007
Feliz aniversário
 
No dia 20 de Junho de mil novecentos e troca o passo nasceu uma menina que hoje armada em revisteira dá pelo nome de Maria Desejo.
Maria é seu nome verdadeiro, Desejo, um devaneio!
 
Hoje é dia de festa. Vieram vestidos a rigor as Marias e os Maneux. As letras juntaram-se à celebração, os pontos de exclamação não se fizeram rogados. Formaram-se palavras e em coro cantaram Happy Birthday, brindaram e desejaram muitos Junhos!
 
 
Sopra as velas, Maria, faz um Desejo!
 
Happy birthday, my dear!
 
 

música: Stevie Wonder: Happy birthday

Maria das Dores às 00:01
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Quarta-feira, 13 de Junho de 2007
Um fim de tarde numa chaise longue
 
Sentia-se renovado.
Tomara um banho longo (mas quem disse que os banhos de espuma são só para as mulheres?), depois vestiu uma roupa leve e preparou uma bebida.
Foi recostar-se na sala, na sua chaise longue, a apreciar a magnífica vista sobre a cidade.
Lá ao longe (mas tão perto) o mar, seu companheiro de confidências.
 
Aquele final de tarde era tudo o que precisava.
E estava a conseguir tê-lo só para si, depois de ter desligado os telemóveis, o computador, tudo o que o ligava ao resto do mundo.
Ele, a sua vista privilegiada, e aquela música envolvente no porta-cds.
A sós.
 
E foi a música que o impediu de ouvir o rodar da chave, a porta a abrir-se devagarinho, depois os passos sorrateiros pelo corredor.
E que não lhe permitiu senti-la parada à entrada da porta, sorrateira, como quem quer abrir a arca dos tesouros, mas espera para ver se não vai ser apanhada em flagrante.
Nem era isso que lhe importava, porque ela queria ser notada.
Mas estava a sorrir, ao vê-lo tão quieto, quando habitualmente era preciso muito para o conseguir.
 
Foi-se aproximando, lentamente, até se encostar à chaise longue e lhe tocar no cabelo.
Fê-lo demoradamente, sem se preocupar com mais nada.
Por essa razão não o viu cerrar os olhos, em deleite absoluto.
 
Ele sentiu, lá no fundo, que ela lhe fazia falta.
Por tudo e por nada. Pelo principal e por cada pormenor.
E ficaram assim, em silêncio, unidos pela música.
 
Ela percebeu-se invadir por uma espécie de formigueiro. Era sempre assim, quando estavam perto um do outro. Nem precisava de lhe tocar para se sentir afectada por ele. Mas quando se tocavam…
Foi fazendo descer as mãos, invadir-lhe a roupa, prolongar as carícias, aumentar o desejo, dilatar a volúpia.
 
Eis que parou.
Não saiu de detrás dele, para que ele não adivinhasse o que iria fazer.
Subiu o vestido, e desceu a peça de lingerie, até cair ao chão, abandonada.
Deu a volta à chaise longue, tocou-lhe na face, como que a despertá-lo de um sonho. Ele abriu os olhos, a admirá-la, linda ali em contra-luz.
Sorriu-lhe. E ela fulminou-o, com um olhar de fera perante a sua presa.
 
Passou uma perna por cima dele e sentou-se nele.
 
Ele gemeu um “aiii” de desespero.
Sabia o que os esperava. Ambos sabiam.
E gostavam de perder a consciência, de se dar um ao outro sem pudores, de descobrir novas formas de voar.
Juntos!
 
 
 
Maria Mata Haqui
 
*texto inicialmente publicado aqui, num desafio da Liana
 


Maria Desejo às 17:24
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Sábado, 9 de Junho de 2007
Titular
 
Termina na próxima segunda-feira, dia 11, o primeiro concurso para professores titulares. Que raio é isso, perguntarão? Uma chinesice, respondo eu.
 
Atenta à informação proveniente deste Portal e acirrada por uma amiga Professora de Inglês (leccionar esta disciplina à partida já é mau presságio!) resolvi dar voz às suas lamentações.
 
“D’as Dores, dizia ela, és capaz de me explicar por que raio uma carreira de mais de vinte anos é avaliada somente nos últimos sete? Por ventura, fui auxiliar de professora antes?”
 
“Pois”, retorquia eu eloquentemente, como sempre.
 
“Cala-te que não percebes nada disto e deixa-me desabafar!”
 
“A Revista é toda tua mas toma atenção às piadinhas de mau gosto que as paredes têm ouvidos e ainda por cima és professora de Inglês!”
 
“Queres saber de quantas actividades promovi e realizei com alunos e não são neste concurso contempladas?”
 
“Por acaso não estou lá muito interessada. Esta Revista já está suficientemente enfadonha.”
 
“Sabias que para efeitos de assiduidade são contemplados os melhores cinco destes sete que estão a ser motivo de análise? Eh, pá, antes de 1999 podia ter sido uma balda do caraças, que ninguém quer saber disso para nada.”
 
“Bom, acho que já me convenceste, onde assino?”
 
“E o pior de tudo, o pior meeeesmo, é que no estúpido do formulário que tive de preencher, no item relativo à autoria de programas e manuais escolares, esqueceram-se de incluir a autoria de blogs! Oh pá, está mal. Aí teria pontuação máxima.”
 
“Chega! Isto ainda não virou a República das Bananas!”
 
“Dizes tu que já nem sabes distinguir uma banana dum tomate!
Mas dizia eu....no final do formulário e na respectiva caixa para observações, escrevi assim:
Muito agradecida por este momento de grande te(n)são. Foi com muito prazer e orgulho que respondi a esta bosta que em muito vai engrandecer a minha carreira de 21 anos como Professora. Mais agradecida ainda por se terem esquecido dos restantes catorze anos. Eternamente reconhecida, porque não tenho vaga e não serei Professora Titular, e ainda por passar mais outros tantos a marcar passo e sem poder subir na carreira! Viva Portugal! Vivas para a Milú e para o Doutor Engenheiro! Deixem-me ao menos ascender ao cargo de Professora de Inglês Técnico!”
 
“Ai o caneco! Ai o caneco!”
 
“Shut your big mouth, D’as Dores, and publish this shit!”
 
 
Revisteira e bem mandada, aqui deixo o testemunho duma Prof. cujo sonho é o de um dia ser Professora de Inglês Técnico já que Titular jamais irá ser.
 
Maria D’as Dores
 
 
 
 


Maria das Dores às 14:56
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Segunda-feira, 4 de Junho de 2007
Em Serralves
 
Neste fim-de-semana fui, pela primeira vez, a Serralves.
O espaço estava em Festa, durante 40 horas Non-Stop, e desta vez não quis perder o evento. 
 
E gostei.
Gostei bastante do sítio em si e da junção de tantas pessoas num mesmo lugar.
Gostei de percorrer os recantos, os cantos e os espaços abertos, além do Museu de Arte Contemporânea.
Gostei de caminhar ao ar livre, de respirar ar menos poluído (apesar de estar habituada a esse ar mais puro, por viver muito afastada do centro), de descobrir o campo na cidade.
Gostei de conversar, de rir, de sorrir, de ficar em silêncio por lá.
 
Mas porque não podemos ver só o lado positivo das coisas, não gostei de perceber o abandono em alguns pormenores e não gostei da falta de melhores condições em determinados sítios.
Faltou mais para me encantar.
Ainda assim, quero lá voltar!
 
E hoje, no rescaldo, gostei de ver que foi um sucesso, que em muito superou os anos anteriores, pelas primeiras estatísticas oficiais, aqui.
 
 
Até para o ano!
 
 
Maria Caminhante
 
 


Maria Desejo às 15:54
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Sexta-feira, 1 de Junho de 2007
Editorial Sexto
 
Maio vai, Junho vem e o sol continua caprichoso aparecendo quando lhe dá na real gana. Estou solidária, caprichosa também.
 
Meio ano de revista, balanços não faço, os pratos da dita (balança!) pendem para o lado que mais lhes convém, caprichosos também.
 
Recebemos um TBA do Pedro Alex que valeu pelas imagens e no banco de pedra que me foi destinado, sento-me e reflicto “Chiça, que esta m.... é dura como o cara....ças!” Nos momentos mais solenes ocorrem-me sempre pensamentos profundos! Tão dignos de registo que corro logo para a tecnologia mais próxima para os partilhar com alguém.
 
Junho é mês de celebrações, de solstício e de aniversários. Mês do subsídio de férias, bendito sejas(!), mês de trinta dias para todos os gostos, feitios e estados de espírito.
 
Apesar da falsidade, da luta penosa e dos sonhos arruinados, a Terra continua a ser bela, frase roubada à Liana que do seu local privilegiado de inspiração e com a música de fundo do seu cortador de relva privado e peculiar, mo recorda e eu registo nesta minha ânsia de partilha e desesperada tentativa de encher chouriços. Por falar neles, Junho deve ser, por certo, mês de feiras de gastronomia, à falta destas e dos ditos, tomamos balanço rumo ao Salão Internacional Erótico de Lisboa. Não prometemos reportagem porque de promessas está o inferno cheio, mas cozinha-se uma, se a repórter estiver para aí virada e os chouriços assim o justificarem.
 
O primeiro deste mês é dia Mundial da Criança, por isso nosso dia também, eternas crianças que somos.
Princípio sexto: “Toda a criança deve crescer num ambiente de amor, segurança e compreensão.”
Posto isto, mimem-nos, aturem-nos e compreendam-nos!
Tenho dito!
 
A revisteira de serviço é a Maria D’as Dores.
 


Maria das Dores às 00:01
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Segunda-feira, 28 de Maio de 2007
SAL
 
Sábado à tarde.
Um sol lindo e um vento forte, a contrariar as previsões meteorológicas de chuva.
E um shopping repleto de gente, a abarrotar de pessoas que pareciam nada mais ter o que fazer do que passear pelos corredores.
 
Na FNAC do Norteshopping, pelas 17 horas, o anunciado concerto/apresentação do projecto de música portuguesa SAL.
 
 
 
Os SAL são compostos por quatro músicos portugueses, quatro excelentes artistas, que lançaram juntos um primeiro CD em Março deste ano, e que me encantaram (agora).
 
Podem ver a sua constituição e informação aqui: SAL.
 
Foram cerca de três quartos de hora de excelente música que cativaram a audiência.
E se nem todos lá foram de propósito, como eu fui, muitos foram os que, aos primeiros acordes, foram chegando mais perto e ficando. Para ouvir e sentir a voz, as guitarras e a bateria que nos envolviam.
Continuo com as minhas preferências na área do Fado, que não passam pela Ana Sofia Varela, mas que no seu conjunto e com os poemas escolhidos, é um projecto cativante, de música de influência fadista.
 
 
 
Gostei. Gostei de descobrir mais música portuguesa.
E gostei da sensação de leveza com que saí de lá.
O fim do dia foi óptimo: um pôr-do-sol roubado em fotografia(s), uma conversa agradável, um jantar tardio...
 
O SAL da vida são os amigos.
 
 
 
 
 
Maria Não Me Callas
 


Maria Desejo às 17:56
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2007
Uma visita ao Museu
 
Acordou ofegante.
Que sonho desconcertante fora aquele?
Não sabia de que recanto longínquo do seu cérebro poderia ter vindo aquela mistura de pesadelo com sonho. Sim, porque tinha sido também pesadelo.
 
Sentou-se na cama e respirou fundo.
Teria que descobrir de onde viria agora tudo aquilo.
Foi para o duche. Abriu a água e deixou que ela escorresse pelo seu corpo, sem se mexer, como se todos os maus presságios fossem assim, pelo ralo abaixo.
Sorriu quando disse mentalmente essa expressão. Nunca gostara dela e agora usava-a.
Sinais dos tempos.
 
Quando se enrolou na toalha, sentia-se um pouco melhor, menos impressionada.
Aquela cara horrível não iria sair-lhe da cabeça durante muito tempo, mas tinha que seguir em frente.
Vestiu-se, comeu alguma coisa, e saiu para o trabalho, que decorreu lento e preguiçoso.
 
No final do dia, resolveu ir passear um pouco.
Voltar para casa, sozinha, não era o que queria naquele momento.
Deambulou pela cidade e, quando se deu conta, estava em frente ao museu.
Nem pensou: foi visitá-lo. Afinal, fazia parte dos seus planos ir ver a nova exposição e ainda não tinha conseguido fazê-lo.
O verdadeiro susto foi quando entrou numa das salas e...
Estava ali!
A cara dos sonhos dela era afinal uma estátua.
E era real!
 
 
 
 
Passou a acreditar em premonições.
 
 
 
 
Maria Bato-as-Asas-e-Sonho
 


Maria Desejo às 17:43
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Terça-feira, 22 de Maio de 2007
A D I D A S

 

 
All
Day
I
Dream
About
Sex
 
 
E assim era.
Todos os dias tinha o mesmo sonho, que se tornava repetitivo mas nunca monótono: entrar num balneário masculino e ficar lá, escondida, a espiar aqueles corpos suados, que despiam o equipamento e depois iam para o banho merecido.
 
Um sonho que se tornou uma fantasia, cada vez mais premente.
E como as fantasias se querem viáveis e fazíveis, ela foi delineando o seu plano.
Até que chegou o dia.
 
Subornou todos e mais alguns, despiu-se de temores e medos, desinibiu-se de preconceitos e… foi.
Entre o início do jogo e o intervalo, infiltrou-se, camuflada, no balneário.
E esperou, pacientemente, mas com o coração desenfreado, naquele canto escuro.
 
Quando os ouviu, e depois viu, sentiu-se aturdida.
Sufocou um grito, porque queria manter-se incógnita, mas suspirou.
Suspirou porque não sabia o que lhe ia acontecer depois, mas que teria 15 minutos de puro prazer visual e auditivo.
Deliciou-se com todos eles.
Aquela experiência ficar-lhe-ia retida por toda a sua existência, tinha a certeza.
A excitação que sentia era, até então na sua vida, inigualável.
E aproveitou cada minuto que esteve ali.
 
Quando o treinador os mandou de volta para o campo, viu-os sair, cheios de força e vigor, para continuar a disputar o jogo.
O balneário ia ficando vazio, mas o jogador com o nº 11 ficou para trás, a apertar as sapatilhas.
Ela não se conseguiu conter e foi saindo da penumbra, como quem se deixa desnudar. E ficou tão desnorteado que nem conseguiu reagir.
Deixou-se ficar sentado, a olhá-la.
 
Lá fora já se ouviam as claques, infernais, o que indicava que o jogo estaria prestes a retomar-se, por isso ela foi fechar a porta.
E aí não se conteve. Foi-se aproximando dele, e por cada passo que dava na sua direcção, tirava uma peça de roupa.
Ele, extasiado, sentia-se noutro planeta, ou pelo menos tinha a sensação de ter saído do seu corpo. Mas rapidamente voltou a ele quando ela lhe tocou.
 
Entregaram-se um ao outro, desvairada e tresloucadamente.
Com a ânsia de quem quer receber a Taça!
O fim foi glorioso, quando se uniram em apoteose.
 
Quando o vieram procurar, encontraram-no sozinho, nu, sem conseguir articular uma palavra. Ainda desconfiaram de aliens, mas ele negou.
Sabia que não a voltaria a ver, mas nunca mais esqueceria aquele dia.
 
Maria Mata Haqui
* em homenagem à vitória do meu FCP


Maria Desejo às 17:31
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Terça-feira, 15 de Maio de 2007
“A Fúria das Vinhas”
  
Comecei a ler o livro no feriado do início do mês, com o intuito de me acompanhar, de me servir de aconchego, de ponte para as minhas origens, isto quando estivesse longe de casa nos dias seguintes, que se aproximavam a passos largos.
Mas, assim que abri aquela “Fúria das Vinhas”, que lhe senti a textura, que lhe sorvi as primeiras páginas, não mais consegui parar.
Sabem quando querem e não conseguem abdicar de alguma coisa na vida?
Eu já passei por várias e esta foi mais uma delas.
E assim foi: devorei aquele livro com a ânsia do seu desfecho.
Mas guardei os últimos capítulos. Só porque sim.
 
Depois de me emocionar com a Ferreirinha, com a imensa força daquela Mulher frágil, com a pobreza de uma época não tão distante assim, de me deslumbrar com as paisagens magníficas do nosso Douro, contadas magistralmente em palavras enormes, de tentar desvendar o mistério que envolve aquelas mortes, resolvi guardá-lo, cheia de carinho, para o terminar além fronteiras.
 
Ele atravessou as fronteiras… mas não me acompanhou.
Deixei-o esquecido no avião. E senti um aperto no peito. Porque deixei para trás uma parte de mim.
 
Agora, se não se importam, vou ali comprar outro, para saber como termina a história.
Mas leiam. Leiam. Leiam!!!
 
Francisco Moita Flores já me havia conquistado com o “Não Há Lugar para Divorciadas” e agora deixou-me presa, irremediavelmente.
E que bom que assim é.
 
Maria Livreira
 
 


Maria Desejo às 17:50
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Segunda-feira, 7 de Maio de 2007
Música do nosso coração
 
Para que não nos falte nada sobretudo a música do nosso coração, eles vão mas voltam, sonho meu!
 
Ney Matogrosso, dia 15 de Junho, no Coliseu do Porto e dia 16 do mesmo mês, no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Nem num nem noutro, mas já o vi e ouvi ao vivo e foi compota de morango para a alma, para quem gosta, claro, do Ney e da compota!
 
Gal Costa, a 6 e 12 de Junho nos mesmos Coliseus e pela mesma ordem.
Já a ouvi ao vivo e não sei se do coliseu do Porto que é claustrofóbico ou eu que necessito de muita música e muito ar, mas dela esperei mais na altura e o espectáculo não me chegou a aquecer as mãos nem os pés.
 
Maria Bethânia, a 3 de Julho, no Coliseu do Porto e dias 5 e 6 do mesmo mês, no coliseu dos Recreios em Lisboa. Foi aqui que a vi há uns anos e jamais a esquecerei, franzina e descalça no palco, mas quente na voz e transbordante na alma. Foi assim que a senti.
 
Por fim, a nossa Mariza e Gilberto Gil, no dia 6 de Julho no Estádio Municipal de Aveiro.
Confesso, nem um nem outro até à data, me tocaram a alma, umas cócegas que fossem. No entanto, estarei lá, assim o espero, quem sabe para confirmar o que nunca senti ou para bater três vezes no peito e dizer “Que insensível que és coração e que estúpida me saíste Maria D’ame Música!”
 
 

música: Mariza: Loucura

Maria das Dores às 21:36
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Terça-feira, 1 de Maio de 2007
Editorial Quinto
 
Escrevo este editorial de Maio, e o mês de Abril ainda não acabou. Mas está a dar o último fôlego e por isso aproveito o embalo de “mês velho-mês novo”, em jeito de balanço e lista de pedidos ao Pai Natal.
 
E como assim é, celebro este novo mês de braços abertos, novo visual (já me tinha esquecido das maravilhas que um corte de cabelo radical produz) e uma gripe sem tamanho! (não rima mas é verdade)
 
Maio será, para mim, sinónimo de férias, que estão quase, quase à porta e eu desejosa delas.
E também de algumas excentricidades que espero se avizinhem, porque tenho umas quantas pontas soltas para "apanhar" na minha vida.
De preferência, juntas: as férias e as excentricidades.
Dar-vos-ei notícias disso mesmo quando regressar, se regressar – porque, quem sabe, posso ser raptada por um nativo e... (sonhar ainda não paga imposto!)
 
E Maio fez-me lembrar que, no seu vasto e tão rico legado, o saudoso Zeca Afonso deixou-nos uma música que celebra este mês.
E que diz assim:
 
Maio maduro Maio
quem te pintou
quem te quebrou o encanto
nunca te amou
 
 
E assim é: quebrem-se os encantos e perceba-se o que fica, o que resta.
Pó. Ou vento. Ou apenas lembranças, que se esbatem.
E uma vontade férrea, ainda que apenas tímida, de começar de novo.
 
Até já… e que Maio vos guie!
 
                                                                                      A vossa:
 
Maria Desejo
 
 


Maria Desejo às 12:00
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Sábado, 28 de Abril de 2007
Sugestões
 
Em jeito de conclusão e para terminar o mês, recomendo a leitura dos contos da Liana que devem ser saboreados no final do dia, de preferência com uma taça de gelado de café  na mão, e digeridos durante a noite. Como música de fundo, When a man loves a woman, na voz sempre quente e rouca de Michael Bolton.
 
Se a leitura for dispensada por motivos óbvios, peguem no vosso “Manel” degustem o gelado da forma que mais apreciarem (ou não!) e dancem. As noites estão convidativas e a dança não passa de moda.
 
As Marias adoram dançar e os Maneux não se fazem rogados, mesmo os pés de chumbo que quando estão para aí virados até parecem o Fred Astaire (numa versão de trazer por casa, claro!).
 
Termino este da forma mais melosa que consegui encontrar porque o amor parece andar no ar, o Cupido faz das suas e a Prima Vera dá uma ajuda, e, caramba, como eu adoro ver gente apaixonada!
 
Esta que vos escreve e dá música, é a Maria D’as Dores.
 

música: Michael Bolton: When a man loves a woman

Maria das Dores às 14:28
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Terça-feira, 24 de Abril de 2007
Música em Flash(es)

 

 

Hoje deveria falar sobre Liberdade, sobre o dia de amanhã e as suas comemorações.
Não vou fazê-lo, mas é também uma forma de o fazer.
(confuso ou talvez não)
Porque a liberdade conquista-se no dia-a-dia e deveríamos lembrar-nos disso todos os dias.
 
Mas então do que falo?
Há uns tempos recebi um mms (às vezes as tecnologias dão jeito) que anunciava um conceito (para mim) diferente de concerto: “Concertos Flash – tão depressa aparecem como desaparecem” e que ia acontecer na minha cidade.
Achei “piada” à coisa e marquei na agenda.
 
Sexta-feira passada saí do emprego e lá fui até à Baixa, para ver o tal passe de mágica anunciado.
E afinal é verdade que as novas tecnologias conseguem mesmo aproximar as pessoas: muitas pessoas se juntaram a mim na ansiedade de ver o “coelhinho saltar da cartola”, num cenário tão característico e apesar do tempo que ameaçava chuva, mas que não deixou ninguém arredar pé dali.
 
A foto que aí está é do “pré” concerto, porque percebi que sou pequena demais para algumas situações e “durante” o concerto nada mais consegui do que recortes de penteados!
 
Ladies and gentlemen (somos Marias Internacionais, com certeza): com vocês, os Mesa!
Apoie-se a música portuguesa, quando de qualidade!
 
 
http://www.mesa.pt/index.htm
 
 
Maria Não Me Callas
 
 
 

 

 



Maria Desejo às 17:00
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Quinta-feira, 19 de Abril de 2007
Blogo-inspiro-me
 
Para quem anda pela blogosfera há já uns tempitos é curioso sentir-lhe a evolução e hoje que me sinto para aí virada debruçar-me-ei sobre os blogs femininos que são na minha opinião mais versáteis, criativos e abrangentes.
 
Quando me iniciei nestas andanças era frequente tropeçar em blogs de poesia, em diários cujo conteúdo se assemelhavam a novelas mexicanas na sua pior fase e ainda nos eróticos. Estes não só continuaram como proliferaram, os de poesia já não abundam e os diários mexicanos foram substituídos por uma amálgama de textos em que, sem qualquer apelo nem agravo, é revelado um azedume, um mau feitio e uma arrogância dos quais as autoras fazem gala e apregoam aos sete ventos. Evidenciam-no dia-sim-dia-sim em cada post que escrevem mas para o caso de alguém tremendamente distraído não se ter dado conta ainda o proclamam nos comentários que respondem, a seco, sem qualquer pitada de humor, porque este, se existisse, marcaria a diferença.
 
Por vezes dou comigo a rir às gargalhadas perante tal cenário e naqueles dias do mês em que me encontro eu capaz de atirar o teclado ao primeiro incauto que se atreva a dirigir-me a palavra, espumo e contorço-me quando as leio (algumas escrevem bem pra caraças!), ensaio diálogos que nunca existirão e inicio comentários que nunca publicarei.
 
Continuarei a insistir, para além do exercício mental ou do prazer da escrita, os blogs têm uma função terapêutica e se estas mulheres se sentem melhores e mais aliviadas a desancarem em tudo e em todos, devem persistir na escrita. Não só me divertem como me servem de exemplo. Quando as leio, comento para com os meus botões, Maria Revisteira, esta é a figurinha que não deves fazer! Antes revisteira do que azeda!
 
Maria Revisteira
 

música: jamiroquai: Virtual insanity

Maria das Dores às 22:48
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Segunda-feira, 16 de Abril de 2007
O poder da Publicidade
 
Ia distraída, a pensar na vida (será que pensava realmente?), quando foi surpreendida por aquele cartaz.
Nada lhe chamou a atenção - não havia um homem nu, um diamante raro ou uma pedra preciosa naquele cartaz – além daquela expressão tão pura e simples.
Mas ela gostava da simplicidade que lhe rodeava a existência.
Costumava dizer que “diamonds are a gir’ls best friend” mas não dela!
 
O cartaz apelava:
 
Não desista. Nunca!
 
 
Riu-se às gargalhadas ali no meio da rua.
Parecia (e naquele momento era) mais uma doida no meio de tantos outros que passavam ao seu lado e a olhavam com espanto e admiração.
Mas não queria saber das aparências!
O que lhe interessava é que ali estava a resposta para o seu problema.
Iria traçar um plano e pô-lo em prática. Simples!
 
E assim foi.
A primeira fase do plano era simples: inscrever-se nas aulas.
A paciência era sua aliada e, por isso mesmo, quando estava quase a atingir os três meses de aulas, sentiu-se pronta.
A técnica estava toda apreendida, agora seria a prática posta à prova.
 
E era chegada a segunda fase do plano: conseguir colocação.
Bateu a várias portas. Levou com muitas delas no nariz.
Mas lembrava-se do início, daquele cartaz, e lá continuava.
Conseguiu ser recebida e ter uma audição.
E o seu sonho realizou-se: foi aceite!
Nem queria acreditar!!!
 
Eis, então, chegada a derradeira fase daquele plano que se revelaria maquiavélico: a terceira.
Comprou roupas novas, maquilhagem a condizer, e uma lingerie de morrer.
Os restantes acessórios estavam prontos, naquela caixa fechada, que levaria consigo.
E na noite seguinte ali estava, à porta.
Fechou os olhos, fez o sinal da cruz e entrou com o pé direito.
Nos camarins vestiu-se a preceito, com tudo o que trouxe consigo.
E o produto final era… diabólico.
 
Chegou ao palco e sentiu-se uma rainha.
Uma verdadeira Bond Girl da pior espécie, mas sensual q.b.
As armas eram o toque de mestra. A cereja em cima do bolo (de chantilly).
Uma em cada coxa, com a mini-mini-mini-saia a deixá-las à mostra.
Agarrou-se ao varão, fez magistralmente o seu show de strip… e o momento final foi a realização da sua fantasia: tirou as armas do coldre, disparou a torto e a direito e matou-os.
Um a um.
 
Bendita publicidade!
 
Maria-contadora-de-histórias
 

música: Golden Eye - Tina Turner

Maria Desejo às 16:33
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Quinta-feira, 12 de Abril de 2007
Would I lie to you?
 
Fui incumbida de escrever sobre a entrevista de ontem.
Perguntei: - de quem?
- De quem? Isso é pergunta que se faça? Não se fala de outra coisa!
- Ah essa! Há alguma coisa a dizer? Para além do ar patético e atabalhoado dos entrevistadores e do ar emproado do palhaço de serviço (sem ofensa para os palhaços!), há mais alguma coisa a dizer?
- Olhe, Maria D’as Dores, você começa seriamente a preocupar-me...
- Olhe, também a mim...
- Esta Revista não se alimenta de ar! Mexa esses dedos e ponha os neurónios a funcionar!
 
Era preciso que os tivesse, porra, deixei-os algures e nem me lembro onde.
Não me apetece, pronto.
Preciso de absorver para escrever.
Quando “seco” é sinal que preciso de observar muito mais o que me rodeia, que preciso de rir e chorar, preciso de ler e devorar filmes e ouvir os outros. Saber ouvir sempre me serviu de forte inspiração. Acontece que ou ando com muito pouca pachorra para tal ou não ouço nada que me faça correr para o teclado! Daquelas pérolas que me fazem formigueiros nas pontas dos dedos.
 
Ah, a entrevista de ontem. Pois, essa. Num país de doutores e engenheiros, deixem lá o homem, pá! Ele até tem os certificados e pagou as propinas.
E pensar eu que até para trabalhar neste pasquim, só me faltou ter de mostrar as cuecas! Sim, porque os certificados de seis anos de Revisteira e mais um de Reboleira não convenceu muita gente!
 
Esta que vos escreve é a Maria D’as Dores, revisteira pós-graduada com estágio integrado e incorporado!
 
 

música: Eurythmics: Would I lie to you?

Maria das Dores às 17:50
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Quinta-feira, 5 de Abril de 2007
À espreita numa janela
 
A voluptuosidade que os envolvia desde sempre fazia-lhes sobejar as fantasias.
Queriam fazer perdurar aquela sensação de infinito, de ilimitado, de invencibilidade.
E o prazer… a busca do prazer, como quem demanda o Santo Graal.
Não se faziam rogados aos chamamentos da carne.
E davam asas à imaginação, que os acompanhava e lhes exigia devoção.
 
E assim haviam chegado àquele espaço, semi-privado e semi-público, na meia-luz daquele quarto com vista para a cidade buliçosa.
A excitação que lhes chegava do medo de serem vistos por alguém arrebatara-os desde o início.
As roupas começaram a desaparecer ainda no elevador, depois no corredor e finalmente dentro da porta, fechada com a urgência de quem deseja alguém.
 
E agora via a sua face enrubescida reflectida no vidro já embaciado.
Atrás da sua, a dele, que ora desaparecia, ora se mostrava, ofegante e delirante.
E às vezes deixava de ver, porque fechava os olhos, e concentrava-se naquele entra-e-sai que a arrebatava, que a inebriava, que a atava àquele parapeito.
Um local desejado há muito, porque significava a realização de uma fantasia!
 
Sensualidade e erotismo, em doses viciantes, à espreita numa janela.
 
 
Maria Mata Haqui *
 
...
 
 * Texto da Maria Desejo
 ...


Maria das Dores às 18:31
editado por Maria Desejo em 09/04/2007 às 16:13
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Segunda-feira, 2 de Abril de 2007
Editorial quarto
 
That Old Devil
Abril águas mil e embora não sendo este o primeiro dia do mês, se fosse ainda correria o risco de pensarem que tudo o que aqui vou escrever seria um logro, chove e o mês promete!
 
O carteiro ainda toca duas vezes. Não era o Jack Nicholson , thanks God(!), e nem a mesa da cozinha estava assim a modos que a jeito mas era encomenda esperada e há muito ansiada! Contém livros, disse-me ele, venha buscar que está a chover! Desci as escadas a correr. Abri a encomenda. E lá estava, o “That old devil”. Olhei-o atentamente, folheei-o e cheirei-o. Pus a música a tocar e deus meu não tenho palavras para descrever o que senti. Emoções destas sempre me foram difíceis de descrever. Só as sei sentir. E quase sempre as guardo unicamente para mim.
 
Tudo começou aqui. Corria o ano de dois mil e quatro, em Outubro, para ser mais precisa, quando a inconformada lançou um desafio a vários autores de blogs. Na altura, ainda devaneava com a minha querida amiga Vulcão, hoje autora também desta revista e companheira destes meus desvarios. Foram tempos de novas descobertas, de desafios constantes e emoções fortes. Guardo deles as melhores recordações, porque se más houve, nem me recordo delas.
 
O projecto, escrever um livro, não foi na altura concluído. Passados dois anos, reencontro a Maria Alfacinha, inconformada ainda e ávida de realizar um sonho que para além de seu, era partilhado também por todos os que continuaram a visitá-la na esperança de um dia saberem notícias dela.
 
O sonho foi realizado, mérito dela, emoção minha também e hoje, dia dois de Abril de dois mil e sete, recebo o “nosso menino” que finalmente foi editado!
 
À inconformada Maria Alfacinha não lhe conheço a voz, nem a cor dos olhos mas adivinho-lhe um brilho no olhar, aquele que só as pessoas especiais têm, as que têm a capacidade de sonhar e de fazer amigos mesmo que virtuais!
 
Esta que este editorial escreve é a Maria D’as Dores, emocionada mas feliz!
 

música: Lucy Hunter James: That Old devil called love

Maria das Dores às 17:15
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Sexta-feira, 30 de Março de 2007
"O Vinho Mágico"

 

“… puxou-a para si, sentindo o cabelo dela no rosto, os lábios contra os seus, a ávida macieza dela nos seus braços e a respiração contra o seu rosto.
O beijo tinha exactamente o sabor que ele imaginara: framboesas e rosas envoltas em fumo.
Fizeram amor ali, na cama desfeita de Jay, com a cabra a olhar curiosamente por entre as portadas semi-cerradas, e a doce luz dourada vertendo-se caleidoscópica através das paredes de um azul pálido.”
 
in “o Vinho Mágico” de Joanne Harris
 
 
 
E assim encerramos este mês de Março: com uma sugestão literária.
Um livro assim mesmo: mágico.
Que fala sobre os sabores, e os dissabores, da vida.
Sobre a degustação de uma existência.
Sobre a mudança que cada um de nós pode exercer em si mesmo.
 
Apreciem, tal e qual como um bom vinho!
 
 
 
Maria Livreira
 
 


Maria Desejo às 17:45
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Quinta-feira, 29 de Março de 2007
Posta-isto
 
Esta é uma rapidinha.
Perdoa-me mas não há tempo para mais.
Para a semana compenso.
Não tenho notícias para escrever.
O cão continua na mesma.
Não há gato nem periquito.
O tempo está instável.
A música incomoda-me.
Estou farta de fitas.
Na cozinha sou uma lástima.
Não estou de modas.
Concluindo e resumindo:
Posta isto.
Sempre dá pró buraco!
 
Maria Post-it
 


Maria das Dores às 01:37
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